quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Poema sobre viver...


Poema sobre viver ...

o vento ruge.
urgente é a necessidade do apego,
do apelo, do destroçar o tempo,
do cobiçar o caminho urgente
do vento que ruge.

urgente é negociar a vida,
procurar saídas, esquecer partidas.
urgente é viver sem medo.
urgente é viver com tempo.
urgente é viver.

há gente que vive urgente
sem o apego à vida,
sem o apego ao tempo,
sem dar tempo à vida.
há gente que só vive.

há gente que só vive só,
que só sonha só,
que vive sonhando só
sem sentir que o vento urgente
traz o tempo para ser vivido.

eu vivo o momento agora
que me dá prazer de correr com o vento.
eu vivo o tempo presente
que me traz a paz.
eu não vivo só.






sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Sociedade alternativa, Sociedade novo aeon, É um sapato em cada pé, É direito de ser ateu, Ou de ter fé, Ter prato entupido de comida, Que você mais gosta, É ser carregado, ou carregar gente nas costas, Direito de ter riso de prazer, E até direito de deixar, Jesus Sofrer"


{ Mestre Raul Seixas }

A morte vem vestida de cetim por uma estrada cinzenta onde não sabemos o que nos espera
O sentido da vida é a certeza da morte. Quem nos move na verdade é a morte não a vida. Eu sei que determinada rua que eu já passei Não tornará a ouvir o som dos meus passos. Tem uma revista que eu guardo há muitos anos E que nunca mais eu vou abrir. Cada vez que eu me despeço de uma pessoa Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez A morte, surda, caminha ao meu lado E eu não sei em que esquina ela vai me beijar Com que rosto ela virá? Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer? Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque? Na música que eu deixei para compor amanhã? Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro? Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada, E que está em algum lugar me esperando Embora eu ainda não a conheça? Vou te encontrar vestida de cetim, Pois em qualquer lugar esperas só por mim E no teu beijo provar o gosto estranho Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo morte, morte, morte Que talvez seja o segredo desta vida Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida Qual será a forma da minha morte? Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida. Existem tantas... Um acidente de carro. O coração que se recusa abater no próximo minuto, A anestesia mal aplicada, A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe, Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio... Oh morte, tu que és tão forte, Que matas o gato, o rato e o homem. Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva E que a erva alimente outro homem como eu Porque eu continuarei neste homem, Nos meus filhos, na palavra rude Que eu disse para alguém que não gostava E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite... Vou te encontrar vestida de cetim, Pois em qualquer lugar esperas só por mim E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar Vem, mas demore a chegar. Eu te detesto e amo morte, morte, morte Que talvez seja o segredo desta vida Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida.

O que fazer?



O que fazer?

O que fazer quando tudo já está do avesso, revelando sem nenhum pudor, todos os sentimentos, até aqueles que fariam corar o mais impuro dos homens? O que fazer quando já é bem mais que tarde, que todos os dados já foram lançados, quando já se apostou o que possuía de maior valor? Quando já movi todas as peças mas isto sempre me ganha em xeque mate Já não sei dizer qual é a hora de recuar. Dei tudo o que poderia dar, desde o primeiro beijo, tão insolente como uma pré ¿ adolescente, até o ultimo suspiro da alma envolto em envelope, assim na sua mão. Tudo em suas mãos. A pele, o corpo, meu caminho, o poema que mais gosto recitado. Tudo entregue sem demora, aliás tudo em mim com urgência de ser amado por você. E poderia ser tão simples, você poderia ser tão perto, tão meu... mas seu silencio insiste em dizer nada. Ainda não sei o que fazer com tudo que tenho de seu latejando por todos os lados Um dia, ainda descobrirei o que falta em mim pra te apaixonar, enquanto isto Eu fico aqui, encolhido na chuva, os pés descalços no sereno das manhãs de outono, esperando que me digao OI!